WhatsApp como referência de privacidade
Mark Zuckerberg considera o WhatsApp o exemplo a ser seguido para que a Meta recupere a confiança que perdeu junto aos seus usuários.
Em entrevista concedida na quarta-feira, 23, à jornalista Joanna Stern durante o Meta Connect, evento anual da empresa em Menlo Park, Califórnia, o CEO da Meta afirmou que o WhatsApp é o serviço de comunicação privada líder e possui a maior rede criptografada de ponta a ponta do mundo, tendo sido pioneiro em levar essa tecnologia a essa escala.
‘Se você olhar para o WhatsApp, por exemplo, ele é o serviço de comunicação privada líder. Tem a maior rede criptografada de ponta a ponta do mundo. Nós fomos pioneiros em levar a criptografia de ponta a ponta a essa escala.’
Segundo ele, os novos produtos da companhia, desde os óculos inteligentes até o agente de IA Muse, devem seguir essa arquitetura de privacidade, em vez de replicar o modelo dos serviços tradicionais de rede social da Meta. ‘Grande parte do que a Meta fará daqui para frente se parecerá com o WhatsApp’, afirmou, conforme resumo divulgado pela própria Stern.
Muse e a abordagem cautelosa da Meta com IA
Ao ser perguntado se a inteligência artificial poderia destruir a humanidade, o executivo respondeu: ‘Acho que se todos fizermos um bom trabalho e agirmos com responsabilidade, então não. Estou bastante otimista de que este será um futuro muito positivo para todos.’
O CEO rejeitou o que chamou de ‘retórica cheia de destruição’ que circula no setor. Para ele, a solução não passa por um esforço coordenado entre laboratórios de IA, mas por cada empresa assumir, internamente, a responsabilidade de agir com segurança.
Não acho que precisamos de algum tipo de coordenação em todo o setor para não estragar isso necessariamente. Acho que cada laboratório precisa dedicar tempo e, quando perceber que há problemas, dedicar o tempo de que precisa internamente para garantir que está procedendo com segurança.
Zuckerberg usou o lançamento do Muse, agente pessoal de IA apresentado este mês pela Meta, como exemplo prático dessa cautela. ‘Tínhamos uma versão que era muito boa alguns meses atrás. E queríamos ter certeza de que realmente acertamos todas as partes de privacidade e segurança’, afirmou. Segundo ele, o adiamento não foi um sacrifício. ‘Foi a coisa certa para as pessoas e a coisa certa para a Meta.’
Para ele, o setor chegou a um ponto em que o desempenho técnico dos modelos de IA deixou de ser o fator decisivo. ‘Acho que estamos chegando a um ponto em que pode não importar tanto o quanto ele melhora em matemática. Ele já é muito bom em matemática’, disse. O que passa a importar, segundo ele, é a capacidade de seguir instruções, entender a intenção do usuário e compreender valores humanos.
O executivo também discordou da ideia comum entre pesquisadores de que existiria uma escolha entre tornar um modelo mais capaz e torná-lo mais seguro. ‘Quando você ouve pessoas no setor falarem que existe algum compromisso entre capacidades e alinhamento, eu simplesmente discordo disso. Acho que o alinhamento é, na verdade, a próxima capacidade mais importante a ser acertada’, afirmou.
Segundo ele, o Muse foi construído para refletir sobre o próprio desempenho ao longo do tempo. ‘Depois que ele faz algo, no tempo de inatividade, ele observa o que aconteceu ao longo do dia e pode refletir sobre como melhorar’, diz.
Óculos inteligentes e a visão de futuro da empresa
A resposta surgiu após a jornalista questionar sobre a desconfiança do público em relação aos óculos inteligentes da empresa, que nas redes sociais foram apelidados de ‘óculos de tarado’ por permitirem gravar pessoas sem que elas percebam. A polêmica ganhou força no ano passado, quando o diretor de produto da Meta minimizou as críticas, sugerindo que ‘normas sociais’ naturalmente se formariam em torno do uso do dispositivo. Durante o Connect, a empresa lançou uma versão de óculos sem câmera, em resposta direta a essas preocupações.
Fora do tema da segurança, Zuckerberg reafirmou a aposta antiga da Meta de que os óculos, e não o celular, serão a próxima grande plataforma de computação. Ele descreveu a evolução como uma sequência natural, dos mainframes aos PCs, dos laptops aos smartphones, sempre em direção a dispositivos mais discretos e onipresentes. ‘Eu diria que o mais importante acabará sendo os óculos’, disse. ‘É basicamente um agente de IA que entende você e pode antecipar o que você precisa, e pode entender o que está acontecendo no mundo ao seu redor.’
Segundo ele, o formato dos óculos permite que um assistente de IA ‘veja o que você vê, ouça o que você ouve’ e exiba informações discretamente, sem tirar a atenção do usuário do que está à sua volta — o oposto do que ele descreve como o problema do celular.
Para ele, a mesma lógica que transformou celulares comuns em smartphones deve se repetir com os óculos. ‘A maioria dos óculos que as pessoas têm hoje, você apenas sabe que, em algum momento, eles se tornarão óculos de IA ou óculos inteligentes’, disse.
Metaverso e a integração entre mundos físico e digital
O executivo também retomou, brevemente, a promessa que sustentou boa parte dos investimentos bilionários da empresa nos últimos anos: o metaverso. ‘Eu penso no metaverso como basicamente a mistura dos mundos físico e digital’, afirmou. Para ele, a separação entre a riqueza do mundo digital construído nas últimas três décadas e o mundo físico ao redor das pessoas é ‘estranha’ e vai, ‘inevitavelmente’, desaparecer.







