Trump anuncia “Força de IA” e reforça política de mínima regulação, apesar de alertas da indústria e da opinião pública

Presidente dos Estados Unidos revelou no sábado, 19, a criação de uma nova entidade governamental inspirada na Força Espacial, além de prometer nomear em breve um “czar” de inteligência artificial. Segundo o Axios, o anúncio não detalhou funções, orçamento ou posição administrativa da nova estrutura.

A iniciativa reforça a estratégia de Trump de manter a regulação ao mínimo, mesmo quando grandes executivos do setor pedem regras mais rigorosas e a preocupação pública com os riscos da IA atinge níveis recordes.

Recentemente, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, publicou um ensaio defendendo que as empresas reduzam o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados para avaliar melhor os riscos. A proposta foi endossada por Sam Altman, da OpenAI, por Elon Musk, da xAI, e por Demis Hassabis, do Google DeepMind, e desencadeou conversas entre concorrentes sobre uma possível desaceleração conjunta.

Um pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, renunciou ao cargo, argumentando que a indústria “está apostando com nossas vidas” na corrida pela superinteligência. Outro pesquisador, Evan Hubinger, afirmou que há mais de 10% de chance de a IA destruir a humanidade em uma década.

Trump, por outro lado, já criticou publicamente Amodei, chamando os temores existenciais da IA de “farsa”. Ele argumenta que a única salvaguarda necessária é um presidente “forte e inteligente”. O presidente também declarou que o governo “não vai de forma alguma atrapalhar ou sufocar” o crescimento da IA, e que usará as leis criminais e civis já existentes para coibir comportamentos inadequados.

A relação com a Anthropic já foi conturbada anteriormente. A empresa exigiu restrições ao uso militar de seus sistemas, e dois de seus modelos foram suspensos por ordem do governo americano por motivos de segurança nacional.

Vaga de czar de IA permanece aberta desde março

O cargo de czar de IA e criptomoedas foi deixado por David Sacks em março. Embora Sacks continue influente como co-presidente do Conselho de Assessores em Ciência e Tecnologia, a Casa Branca não planejava preencher a vaga até recentemente, o que mostra uma mudança na pressão política.

Opinião pública mostra resistência

Uma pesquisa do New York Times com o Instituto Siena, realizada com 1.503 eleitores prováveis, mostrou que 61% se opõem à construção de data centers para IA, incluindo 47% dos republicanos e 75% dos democratas. A oposição também tem motivos concretos: o custo da energia no maior mercado elétrico dos EUA atingiu níveis recordes devido à demanda dos data centers, pressionando as contas de milhões de consumidores.

Levantamentos da AP-NORC e da Politico revelaram, respectivamente, que 53% dos americanos estão muito preocupados com o impacto ambiental da IA, e que 63% veem pelo menos um risco moderado de que a IA avançada possa destruir a humanidade.

Democratas defendem maior controle

Enquanto Trump defende a ausência de regulação, os democratas têm proposto medidas mais rigorosas. O senador Bernie Sanders quer interromper o desenvolvimento de IA avançada e proibir permanentemente a superinteligência. A deputada Alexandria Ocasio-Cortez pede padrões de segurança mais rígidos, supervisão pública e alerta que o governo não deve resgatar grandes empresas de tecnologia caso a “bolha da IA” estoure.