Startup brasileira mybrain.ai quer transformar pensamento humano em ativo digital

A mybrain.ai, fundada por Marcos Nader, desenvolve uma plataforma que busca capturar como cada pessoa pensa, decide e conecta informações, criando um mapa digital de conhecimento individual. O sistema reúne documentos, conversas, entrevistas e outros registros pessoais para construir um grafo de conhecimento que pode ser consultado ou, no futuro, licenciado para aplicações de inteligência artificial.

Uma memória digital que aprende com o usuário

O primeiro passo da plataforma é a coleta das fontes de conhecimento do usuário. O aplicativo será lançado em outubro para convidados e em novembro para o público em geral, permitindo a conexão a serviços como Notion, Google Drive, Dropbox, OneDrive, Obsidian, LinkedIn e Instagram, além de integrar memórias de assistentes de IA como ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e Grok.

A partir desses materiais, a plataforma constrói um grafo de conhecimento que identifica relações entre informações acumuladas ao longo do tempo. A Maia, uma agente de IA que funciona como uma espécie de ghostwriter digital, entrevista o usuário por texto ou voz sobre temas sugeridos ou escolhidos livremente, usando as conversas para enriquecer o mapa de conhecimento.

A proposta se diferencia de ferramentas tradicionais de organização pessoal, como Notion e Mem, ao tentar interpretar o contexto por trás dos dados armazenados, em vez de apenas guardá-los.

O desafio de proteger uma memória pessoal

A empresa afirma que os dados pertencem ao usuário, que pode solicitar download ou exclusão. Os documentos são criptografados e hospedados na Amazon Web Services (AWS) e no Google Cloud. A startup ainda não possui certificações como SOC 2 ou ISO 27001.

Parte do processamento, incluindo tarefas relacionadas ao grafo e às conversas, ainda utiliza modelos externos durante a fase beta, com medidas de pseudonimização de informações pessoais. A companhia planeja migrar essa infraestrutura para soluções próprias, mas não divulga quais provedores externos são usados atualmente.

Quando conhecimento vira ativo

A transformação do conhecimento pessoal em receita é uma etapa futura. O site da empresa apresenta o conteúdo armazenado como um ativo que poderá ser licenciado, mas esse modelo ainda não está disponível. Nader imagina usos como consultorias, mentorias, treinamentos, aulas e agentes capazes de participar de reuniões ou responder perguntas com base no conhecimento acumulado.

Enquanto o licenciamento não existe, o modelo de negócios é baseado em assinatura. Durante o período beta, o uso é gratuito. A empresa prevê um plano gratuito limitado a 50 fontes de conhecimento, um plano Pro de R$ 139 por mês e um plano Max de R$ 499 por mês com uso ilimitado da Maia. O negócio foi financiado pelo próprio fundador, sem participação de fundos de investimento até agora, embora haja conversas com investidores-anjo.

A disputa sobre quem é dono do conhecimento

A proposta da mybrain.ai enfrenta questões jurídicas sobre até que ponto a forma de pensar de uma pessoa pode ser considerada um ativo protegido. A Lei de Direitos Autorais brasileira não protege ideias, métodos e sistemas, mas apenas sua expressão.

Nader afirma que a estratégia da empresa depende de direito autoral, contratos e sigilo. Ele compara o momento atual da IA ao que ocorreu na indústria da música, citando o Napster como exemplo de demanda anterior à existência de um modelo legítimo de remuneração, assim como o Spotify posteriormente criou.

O fundador também menciona disputas recentes entre empresas de IA e produtores de conteúdo como sinal de que o mercado começa a discutir formas de remuneração pelo uso de conhecimento humano. Para ele, a diferença da mybrain.ai está em transformar não apenas as informações armazenadas, mas as relações entre elas em uma representação digital.

Perguntas frequentes

O que é a mybrain.ai? É uma startup brasileira de IA que cria uma representação digital do conhecimento e da forma de raciocinar de uma pessoa, reunindo documentos, conversas e outros registros para construir um mapa individual.

Quem fundou a mybrain.ai? A empresa foi fundada por Marcos Nader, também fundador da fintech Nomad, com o objetivo de criar uma camada digital que represente como uma pessoa pensa, decide e conecta informações.

Como funciona a mybrain.ai? A plataforma reúne conteúdos fornecidos pelo usuário, como documentos, links, entrevistas, vídeos e podcasts, e cria um grafo de conhecimento que identifica relações entre informações, experiências e decisões.

O que é a Maia? A Maia é uma agente de IA que conversa com o usuário por texto ou voz, fazendo perguntas sobre temas relacionados ao material armazenado e usando as conversas para ampliar o mapa de conhecimento.

A mybrain.ai é um bloco de notas com IA? Não. A proposta vai além de guardar conteúdos, buscando interpretar as relações entre as informações armazenadas.

Quais informações podem ser conectadas? A empresa permite conexões com serviços como Notion, Google Drive, Dropbox, OneDrive, Obsidian, LinkedIn e Instagram, além de integrar memórias de assistentes de IA como ChatGPT, Claude, Gemini, Perplexity e Grok.

A mybrain.ai usa modelos da OpenAI ou Anthropic? A tecnologia principal utiliza pequenos modelos de código aberto, mas a documentação indica que, na fase beta, parte do processamento ainda depende de modelos externos, com medidas de pseudonimização.

Como a mybrain.ai protege os dados dos usuários? Os dados são criptografados e hospedados na AWS e no Google Cloud. A empresa afirma que os dados não são usados para treinar modelos de IA e que os usuários podem solicitar download ou exclusão.

A mybrain.ai pode vender ou licenciar o conhecimento de uma pessoa? Esse é um modelo futuro previsto, que permitiria o licenciamento controlado de partes do conhecimento para aplicações como consultorias, treinamentos ou agentes de IA.

Quanto custa a mybrain.ai? Durante o beta, o uso é gratuito. Os planos futuros incluem uma opção gratuita limitada a 50 fontes, um plano Pro de R$ 139/mês e um plano Max de R$ 499/mês com uso ilimitado da Maia.

A mybrain.ai recebeu investimento de fundos? Até o momento, o financiamento veio do próprio fundador. Há conversas com investidores-anjo, mas nenhum acordo foi fechado.

Uma pessoa pode ser dona da própria forma de pensar? A questão ainda envolve debates jurídicos. A Lei de Direitos Autorais não protege ideias, métodos e sistemas, mas a mybrain.ai planeja usar contratos, direito autoral aplicável e sigilo para estruturar o modelo de licenciamento.

Qual é a visão de futuro da mybrain.ai? A empresa pretende criar uma “memória digital” individual, capaz de representar conhecimentos, experiências e formas de raciocínio, que possa ser consultada por outras pessoas ou sistemas de IA mediante autorização do usuário.