Microsoft reformula Copilot e lança aplicativo único com chat, edição de documentos e agente autônomo

A Microsoft apresentou nesta quinta-feira, 25, uma reformulação profunda do Copilot, transformando-o num aplicativo único que reúne conversa com IA, edição de Word, Excel e PowerPoint, criação de pequenos programas por comando de texto e um agente capaz de continuar trabalhando depois que o usuário fecha o computador.

Praticamente nada disso está disponível hoje. A maior parte começa em programa de acesso antecipado nas próximas semanas, e a parte mais robusta passa a ser cobrada por uso, e não por assinatura fixa.

Do piloto ao autopiloto: uma mudança de conceito

Em março de 2023, ao apresentar o Microsoft 365 Copilot pela primeira vez, o CEO Satya Nadella explicou o nome do produto por contraste: diferente de um “piloto automático”, em que a IA decide sozinha, um “copiloto” manteria o humano no comando o tempo todo.

Três anos depois, o Copilot ganhou uma aba chamada Autopilot: um agente com identidade, memória e espaço de trabalho próprios, que monitora canais, acompanha conversas, executa tarefas recorrentes e retoma projetos dias depois, sem esperar comando de ninguém.

O Autopilot nasceu de uma fonte inesperada. Segundo a GeekWire, ele é herdeiro direto dos experimentos da Microsoft com o OpenClaw, agente pessoal de código aberto que viralizou no início do ano. Nadella, em março, havia classificado publicamente o OpenClaw como risco de segurança “parecido com um vírus”.

O aplicativo é dividido em três frentes

Home é o novo ponto de partida, onde o chat conversacional e o Cowork, modo para tarefas delegadas de ponta a ponta, como responder uma RFP ou montar um kit de lançamento, se juntam num só lugar, junto com edição real de Word, Excel e PowerPoint dentro do próprio Copilot.

Code leva a criação de pequenos aplicativos, painéis e automações para além do time técnico: qualquer pessoa descreve o que precisa em linguagem natural, e o sistema constrói e hospeda o resultado com segurança dentro do ambiente da empresa.

O já citado Autopilot, antigo Scout, é o agente persistente e proativo, hospedado na nuvem, que continua rodando mesmo com o usuário longe do teclado.

Modelo de cobrança separa uso cotidiano de recursos avançados

No lado financeiro, a Microsoft separou os dois tipos de gasto: uma licença de assinatura fixa cobre o uso cotidiano, chat, Office e respostas rápidas. Já o Cowork, o Code, o Autopilot e os modelos de fronteira mais avançados passam a ser cobrados por uso (usage-based billing).

Entre os modelos “de fronteira” citados no anúncio estão o Astra, da OpenAI, e o Fable, da Anthropic. Isso mostra que a Microsoft segue operando como fornecedora neutra de infraestrutura, vendendo acesso pago à tecnologia das duas maiores rivais enquanto compete diretamente com produtos de ambas.

Uma corrida que todo o setor está travando ao mesmo tempo

O movimento não surpreende quem acompanha o setor. A Microsoft tem concentrado esforço no Copilot corporativo em vez de tentar competir diretamente com o ChatGPT no mercado de consumo. O padrão de consolidar chat, automação e programação num único aplicativo se repete entre as concorrentes quase ao mesmo tempo.

A própria Anthropic uniu seu Cowork ao aplicativo principal do Claude neste mês, com o lançamento do Claude Docs. A OpenAI incorporou o Codex diretamente ao ChatGPT, e o Google vem agregando recursos como pesquisa aprofundada e navegação dentro do próprio Gemini.

Nenhuma das quatro maiores empresas de IA do mundo ainda separa “assistente de conversa” de “assistente que executa trabalho”.

Eficiência econômica impulsiona cobrança por uso

Há também um argumento de eficiência por trás da mudança. Segundo a Microsoft, o desenho multi-modelo do Cowork, que escolhe automaticamente qual IA usar para cada tarefa em vez de depender de um único modelo fixo, já se mostrou 30% a 40% mais barato do que rodar tudo com um modelo só. Esse número ajuda a justificar por que cobrar por uso, e não por assinatura fixa, faz sentido econômico para a empresa à medida que o trabalho de IA fica mais pesado e mais caro de processar.