Inteligência artificial já afeta um quarto dos trabalhadores e redefine funções no mercado

Um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado em 2025 calcula que um em cada quatro profissionais no planeta desempenha uma atividade com algum grau de contato com a IA generativa. A entidade, porém, ressalta que a tendência é a transformação das atividades, e não o desaparecimento puro e simples dos postos de trabalho.

Sinais de que a IA já está integrada ao trabalho

Quando tarefas antes realizadas manualmente passam a ser executadas por ferramentas de IA, o primeiro sinal aparece. Isso ocorre, por exemplo, na elaboração de resumos, na organização de dados, na revisão de textos, na geração de relatórios ou na criação de uma primeira versão de apresentações.

Outro indicador surge quando as empresas começam a monitorar como os colaboradores utilizam a tecnologia. Políticas internas, plataformas corporativas, treinamentos e até metas de adoção passam a fazer parte da rotina, indicando que a IA deixou de ser uma experiência individual para se incorporar aos processos.

Mudança nas competências exigidas

Uma função também pode estar mais exposta quando as empresas buscam novas habilidades para o mesmo tipo de trabalho. Em vez de apenas executar uma tarefa, o profissional precisa agora revisar resultados gerados por sistemas de IA, interpretar informações, formular perguntas mais precisas e decidir o que deve ou não ser automatizado.

Uma análise global da PwC, feita em 2026 a partir de mais de um bilhão de anúncios de emprego, mostra que as habilidades necessárias nas funções mais impactadas pela IA evoluem duas vezes mais rápido que nas áreas menos afetadas.

De tarefas repetitivas para análise e julgamento

À medida que ferramentas assumem etapas repetitivas, o trabalho humano tende a se concentrar em atividades de maior valor agregado. Um profissional de marketing, por exemplo, pode dedicar menos tempo à produção de um texto inicial e mais tempo à definição de estratégia, à avaliação de dados e a ajustes finos. Na área financeira, a tecnologia organiza informações, mas as decisões e análises continuam dependendo do julgamento humano.

Dados da Anthropic, obtidos a partir de milhões de interações com o modelo Claude, confirmam que o uso da IA está concentrado principalmente em desenvolvimento de software, escrita técnica e outras atividades profissionais, com foco em ampliar as capacidades humanas em vez de substituir completamente as tarefas.

Experiência passa a ser valorizada de outra maneira

A exposição à IA também se torna evidente quando o conhecimento técnico deixa de ser suficiente para executar uma tarefa e passa a ser necessário avaliar o resultado produzido pela máquina. A PwC identificou em 2026 que as novas atribuições adicionadas a funções expostas à IA estão mais associadas a habilidades como julgamento, criatividade e empatia.

Entre profissionais no início da carreira, algumas vagas impactadas pela IA também passaram a exigir competências tradicionalmente vinculadas a funções sênior, como liderança e pensamento estratégico. Isso não significa que os empregos serão eliminados; o próprio estudo da OIT indica que a maior parte das ocupações tende a ser transformada, e não extinta.

Para os trabalhadores, observar quais tarefas estão mudando, quais ferramentas estão sendo adotadas e quais habilidades começam a aparecer nas descrições de vagas pode ajudar a entender como o seu próprio trabalho está sendo redesenhado.