Setor privado perde postos de trabalho em 81 profissões
Um levantamento recente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) analisou 500 das principais ocupações do setor privado e identificou que 81 delas registraram perda de trabalhadores entre fevereiro de 2020 e junho de 2026. O estudo focou em atividades que concentram mais de 90% dos empregos formais com carteira assinada.
Profissões mais afetadas e números da queda
A maior redução ocorreu no cargo de supervisor administrativo, com 142,9 mil postos a menos no período. Em seguida aparecem gerente administrativo (93,9 mil), gerente de loja e supermercado (85,1 mil), supervisor de vendas comercial (68,9 mil) e gerente de vendas (46,8 mil). No varejo, os cargos de gestão de lojas e supermercados encolheram 32%, enquanto os comerciantes varejistas perderam 23,3% de seus postos. No telemarketing, o estoque de supervisores e atendentes caiu 41,1% em seis anos, com ferramentas automatizadas, como chatbots e assistentes de IA, assumindo tarefas mais simples.
Impacto no varejo e no telemarketing
A queda no setor de lojas físicas está ligada ao avanço das vendas digitais e à redução do número de estabelecimentos físicos. Já no telemarketing, a adoção de sistemas automatizados acelerou a substituição de funções repetitivas.
IA como fator de transformação, não substituição total
A pesquisa da CNC ressalta que a inteligência artificial não é o único motivo para as perdas. A digitalização e mudanças econômicas também desempenham papel relevante. Exemplos disso são os motoristas de ônibus, que perderam 21,6 mil vagas devido a alterações nos hábitos de mobilidade e ao trabalho remoto, e os cabeleireiros e confeiteiros, cuja redução está mais associada ao crescimento da informalidade.
Um estudo internacional da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2025 analisou quase 30 mil tarefas e concluiu que a tendência é a transformação do trabalho, e não a sua substituição completa pela IA generativa. No Brasil, uma análise da Fundação Getulio Vargas (FGV) com base na Pnad Contínua identificou quase 30 milhões de trabalhadores em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa no terceiro trimestre de 2025, sendo 5,2 milhões deles no nível mais elevado de exposição.
Como o mercado de trabalho está se adaptando
Para os profissionais, entender a IA pode significar identificar quais atividades podem ser automatizadas e quais novas competências ganham relevância. O Ministério do Trabalho e Emprego está desenvolvendo um projeto que usa dados da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) e inteligência artificial para mapear atividades suscetíveis a mudanças tecnológicas e orientar políticas de qualificação.
Na prática, muitas funções não desaparecem, mas têm sua composição alterada. Um atendente, por exemplo, pode deixar de realizar triagens simples e passar a resolver casos complexos, enquanto sistemas de IA geram relatórios e automatizam rotinas administrativas.
Conclusão: um mercado em transição
Os dados indicam um mercado brasileiro em transformação, onde algumas profissões encolhem e outras incorporam novas ferramentas e responsabilidades. A inteligência artificial é um dos elementos desse processo, mas seus efeitos devem ser analisados em conjunto com a digitalização, as mudanças nos padrões de consumo, a reorganização das empresas e outras dinâmicas econômicas.







