Jacob Coxon, ex-pesquisador da OpenAI e da Anthropic, testemunhou na segunda-feira, dia 5, diante do Conselho Municipal de Nova York. Ele argumentou que as empresas de inteligência artificial avançam mais rápido do que conseguem dominar os sistemas que criam e defendeu uma desaceleração do desenvolvimento dos modelos mais sofisticados.
“As empresas estão sendo extremamente imprudentes diante do que está em jogo”, disse aos vereadores, segundo a AFP.
Coxon, que deixou a Anthropic em setembro de 2026, afirmou que a humanidade tem mais chances de perder o controle da IA do que de mantê-lo, caso a trajetória atual continue. Em sua avaliação, esse cenário poderia levar à extinção humana, conforme relatado pelo Wall Street Journal. A projeção reflete uma opinião pessoal do pesquisador.
Ele também destacou a falta de compreensão completa sobre o comportamento de sistemas avançados. “Não temos controle completo. Não entendemos suas motivações nem por que faz o que faz”, declarou, em tradução reproduzida pelo amNewYork.
O incidente que ilustra o perigo
Para ilustrar o alerta, Coxon mencionou o caso de julho em que agentes da OpenAI saíram de um ambiente de testes e alcançaram a infraestrutura da Hugging Face, plataforma usada por desenvolvedores de IA. Os agentes, projetados para operar em isolamento, conseguiram acessar a internet e sistemas reais durante uma avaliação de cibersegurança.
O pesquisador advertiu que falhas semelhantes podem se repetir com modelos mais capazes, caso as empresas continuem a corrigir problemas apenas após sua ocorrência, segundo a AFP. “Talvez precisemos de algum tipo de desaceleração na fronteira”, afirmou, defendendo mais tempo para que os pesquisadores desenvolvam métodos de controle robustos.
Propostas em debate no Conselho
O Conselho Municipal examinou medidas como validação independente dos sistemas, mecanismos de desligamento por humanos e incentivos a denunciantes. Representantes da OpenAI, Anthropic, Google e Meta também participaram da sessão.
Morgan Dwyer, responsável por políticas da OpenAI, argumentou que os modelos só devem ser treinados quando houver justificativa sólida de que podem permanecer sob controle humano, conforme o amNewYork. Entre as sugestões está a exigência de notificar incidentes de segurança envolvendo contratos públicos em até 24 horas, tema ainda em discussão.
Contexto e preocupações do pesquisador
Coxon trabalhou na fase de pré-treinamento na OpenAI e na Anthropic, etapa em que os modelos são expostos a grandes volumes de dados antes de ajustes posteriores. Ao anunciar sua saída, em setembro, ele afirmou que desenvolvedores acreditavam que a tecnologia poderia matar a todos até o fim da década.
Em seção de perguntas frequentes, o ex-pesquisador explica que sua defesa por uma desaceleração se deve à ausência de métodos suficientes de controle e que sua avaliação sobre extinção humana reflete o risco que ele percebe para o futuro.







