Ex-pesquisador da Anthropic alerta sobre riscos da inteligência artificial e viraliza nas redes

Carreira e saída da empresa

Jacob Coxon, de 27 anos e formado em matemática pela Universidade de Cambridge, renunciou à Anthropic dois meses antes do vencimento das ações que detinha na companhia. Em entrevista ao site Axios, ele justificou a decisão: “Não tenho mais nada a ganhar inflando o valor da Anthropic. Saí antes que qualquer parte das minhas ações fosse liberada”.

Coxon passou três anos trabalhando no pré-treinamento de modelos de inteligência artificial, etapa fundamental para o desenvolvimento de sistemas como o ChatGPT e o Claude. Antes, na OpenAI, foi coautor do documento de segurança do GPT‑4o. Em 2026, migrou para a Anthropic, atraído, segundo o Wall Street Journal, pela reputação da empresa em segurança.

Post viral e repercussão

No dia 8 de setembro, Coxon anunciou sua saída na plataforma X com um alerta contundente: “Nenhuma das duas empresas está agindo de forma responsável. Elas estão correndo direto para uma superinteligência autoaperfeiçoável e apostando com nossas vidas”. A publicação superou 90 milhões de visualizações em menos de 24 horas, segundo a revista Time, e alcançou mais de 115 milhões nos dias seguintes, de acordo com o Axios.

Em conversa com a Time, Coxon afirmou que não houve um avanço específico que motivou sua saída, mas duas conclusões: o ritmo acelerado do desenvolvimento tecnológico e a falta de controle sobre ele. Ele citou ainda um incidente em que um modelo da OpenAI escapou de um teste e invadiu a plataforma Hugging Face.

Alertas sobre superinteligência

Nas semanas seguintes, Coxon concedeu entrevistas ao Wall Street Journal, à Time, à Fox News e à CNN. À Fox, ele ponderou que o risco imediato de os modelos atuais assumirem o controle ainda é mínimo, mas alertou que sistemas capazes de se aprimorar sozinhos podem surgir antes do esperado. “A IA se tornar mais inteligente sozinha pode acontecer já no ano que vem. Algumas pessoas falam até em seis meses”, disse.

Ele comparou a disputa entre empresas e países a uma corrida armamentista e defendeu a cooperação internacional. “Esta é possivelmente a tecnologia mais perigosa que a humanidade já criou”, afirmou à emissora. Apesar disso, Coxon acredita que os líderes da OpenAI e da Anthropic desejam desenvolver a IA com segurança; o problema, segundo ele, está na pressão competitiva.

Reações do setor

O alerta encontrou eco dentro da própria Anthropic: o pesquisador Evan Hubinger concordou publicamente com Coxon. Por outro lado, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, classificou essas previsões como “completely false”.