Após empresas e consumidores, os agentes de inteligência artificial começam a chegar à máquina pública. Simone Maria Parazzoli, cofundador da The Agentic State, organização sem fins lucrativos que estuda o uso de IA agêntica por governos, afirma que o mundo caminha para a era dos “Estados agênciais”, e essa transição deve acelerar nos próximos dois anos.
Parazzoli apresentou a visão nesta quarta-feira, 30, durante o Atlantic Convergence, em Lisboa. A entidade acompanha o tema há cerca de um ano e meio, quando publicou um relatório que projetava o funcionamento de governos operados por agentes de IA, com base em entrevistas com 21 formuladores de políticas públicas de 15 países.
Recentemente, a organização lançou um observatório online para mapear iniciativas semelhantes ao redor do mundo. Em apenas 48 dias, a ferramenta registrou 360 projetos em 56 países, sendo que 59% deles já estão em operação.
Exemplos avançados: Estônia, Emirados Árabes Unidos e Ucrânia
Entre os casos mais avançados, Parazzoli destaca três nações. A Estônia desenvolve um sistema de identidade digital para agentes de IA, que permitirá a eles representar cidadãos estonianos na solicitação de serviços públicos.
Os Emirados Árabes Unidos foram mais ambiciosos: o governo anunciou a meta de ter metade dos serviços públicos coordenados por agentes de IA dentro de dois anos.
A Ucrânia, por sua vez, iniciou a implementação de uma arquitetura de Estado agêntico baseada em três agentes: um dedicado ao atendimento da população, outro para apoiar os servidores públicos e um terceiro focado em compliance.
Estratégias: ofensiva ou defensiva
Para Parazzoli, os governos podem seguir dois caminhos. Na abordagem ofensiva, o Estado se antecipa e lança serviços públicos operados por agentes de IA. Na defensiva, reage a uma demanda já existente: a de cidadãos que recorrem a ferramentas fora do controle do poder público, como ChatGPT e Claude, para lidar com a burocracia.
Dos 360 projetos mapeados, 73% seguem a estratégia ofensiva, 24% a defensiva e 3% combinam ambas.
O movimento defensivo já tem um motivo concreto. Segundo Parazzoli, alguns países enfrentam saturação de seus serviços públicos digitais devido ao volume de acessos feitos por agentes criados pela própria população com ferramentas comerciais de IA.







