Como a inteligência artificial transforma a rotina diária de uma CEO

Allie K. Miller, presidente da Open Machine, empresa de consultoria especializada em transformação digital com IA, explica em entrevistas à Business Insider, Inc. e Yahoo Finance como 34 agentes autônomos de inteligência artificial organizam seu dia a dia. Esses programas executam tarefas pré-definidas sem necessidade de intervenção constante, permitindo que a máquina trabalhe enquanto ela dorme.

Triagem matinal e monitoramento contínuo

Segundo Miller, seu dia começa por volta das 8h. Na primeira hora e meia, ela dedica-se ao que chama de “modo de triagem”, revisando os alertas gerados pelos agentes. Nesse período, os sistemas preparam resumos de e-mails urgentes recebidos durante a noite, elaboram um briefing da agenda do dia e sugerem momentos de pausa.

Parte dos agentes atua como “vigias” de fluxos de trabalho, monitorando atividades em tempo real e notificando quando uma decisão humana é necessária. Exemplos incluem o acompanhamento de canais do Slack para evitar duplicação de tarefas entre equipes. O custo mensal dessa força de trabalho é estimado em cerca de US$ 200.

“Quando você acorda, sua IA já deveria estar trabalhando para você há horas.” — Allie K. Miller, CEO da Open Machine

Conselho de personas sintéticas para testar decisões

Miller utiliza personas sintéticas — perfis criados por IA que simulam perspectivas de clientes ou diretores financeiros céticos — para avaliar rascunhos de newsletters e propostas estratégicas. Atualmente, oito personas analisam os textos destinados ao público, enquanto um conselho de seis personas de IA discute questões internas, oferecendo opiniões antes que as decisões sejam levadas a colaboradores reais.

Rotina fora da tela e tarefas delegáveis

Fora do ambiente digital, Miller aproveita a voz de assistentes de IA durante atividades de baixa atenção, como ao se maquiar, e pratica caminhadas ao longo do dia. Uma vez por semana, treina com personal trainer e usa esteira de caminhada com frequência. Todas as quintas-feiras, um agente envia-lhe uma lista de eventos incomuns em Nova York, e nos fins de semana ela se propõe a realizar pelo menos uma atividade fora de sua zona de conforto.

As tarefas que já podem ser delegadas incluem triagem de e-mails, preparação de briefings, geração de relatórios recorrentes e monitoramento de projetos. Miller recomenda que os profissionais peçam às próprias IAs que tornem as ideias de automação “mais proativas, com autonomia responsável e voltadas à ação”.

Conclusão

A experiência de Miller ilustra como a combinação de agentes autônomos, personas sintéticas e automação de processos pode liberar tempo para atividades estratégicas e pessoais, redefinindo a relação entre líderes e tecnologia no ambiente corporativo.