Um levantamento interno da BugHunt mostra que o número de pesquisadores ativos na plataforma brasileira cresceu 115% entre setembro de 2025 e setembro de 2026, em comparação com os doze meses anteriores. A empresa atribui parte desse avanço à inteligência artificial, que teria simplificado o processo de entrada de novos participantes.
Expansão da base de pesquisadores
A base de usuários da plataforma ultrapassa 27 mil cadastros, mas apenas os que enviaram ao menos um relatório de vulnerabilidade são considerados ativos. No mesmo período, os novos cadastros aumentaram 44%, e a proporção de estreantes — aqueles que entregaram seu primeiro relatório — passou de 64% para 77,8% do total de pesquisadores ativos. Ao mesmo tempo, a concentração de envios entre os 10% mais ativos caiu de 69,1% para 63,4%.
Impacto da inteligência artificial
A plataforma de bug bounty também registrou alta nos pagamentos. O valor médio por recompensa subiu 17%, enquanto o total distribuído avançou 22,6%. Para os fundadores, a automação gerou mais volume, o que exige profissionais qualificados para validar as descobertas e acompanhar sua correção.
“Sempre tivemos uma comunidade grande, mas uma parte dela ficava parada na porta. Faltava repertório técnico para transformar curiosidade em relatório. A IA encurtou esse caminho”, afirma Caio Telles, cofundador da BugHunt.
“A IA gera volume, e volume precisa de gente que saiba separar achado real de ruído e levar a correção até o fim”, diz Bruno Telles, também cofundador.
Desafios com relatórios inválidos
Desde março de 2026, a BugHunt detectou um aumento no volume de envios compatível com a geração automatizada de relatórios. O número mensal de submissões ficou entre duas e quatro vezes acima da média do ano anterior. Nesse cenário, os relatórios sem validade técnica quase dobraram e o volume de spam mais que triplicou. A empresa relaciona esse movimento à automação, mas não quantifica quanto do total foi produzido por IA.
Eficiência operacional
Apesar do crescimento dos envios, a mediana do tempo até o fechamento de um relatório caiu de 15,2 para 3,7 dias. Entre os relatórios aprovados, a participação daqueles classificados com gravidade crítica ou alta subiu de 58,2% para 68,5%, e a proporção de relatórios com a classificação técnica corretamente preenchida passou de 45,2% para 61,0%.
Conclusão e perspectivas
Os dados sugerem que a IA está democratizando o acesso ao bug bounty e tornando os programas mais eficientes, mas a necessidade de equipes experientes para avaliar e corrigir vulnerabilidades continua fundamental. A BugHunt destaca que a tecnologia não substitui os pesquisadores, mas amplia a participação e exige maior capacidade de triagem.







