Avaliações técnicas se reinventam diante do avanço da inteligência artificial no recrutamento

Testes precisam acompanhar a evolução das ferramentas

Hoje, uma prova técnica feita em casa pode revelar menos sobre um candidato do que há alguns anos. Com ferramentas capazes de escrever códigos, analisar informações e produzir respostas em segundos, as empresas enfrentam mais dificuldade para distinguir quanto do resultado apresentado é fruto do trabalho do avaliado.

A mudança já chegou aos processos seletivos. Algumas companhias ampliaram o número de etapas ao vivo ou presenciais. Outras adotaram uma abordagem diferente: permitem o uso de IA e observam como o candidato interage com ela durante a atividade.

A IA pode fazer parte da entrevista

A DoorDash, por exemplo, substituiu parte das entrevistas tradicionais de programação por uma sessão de trabalho de 60 minutos na qual os candidatos podem usar ferramentas de IA. Durante o exercício, eles compartilham a tela e explicam seu raciocínio, enquanto os avaliadores observam como entendem o problema, testam soluções, corrigem erros e tomam decisões.

A lógica muda. Em vez de tentar descobrir se a pessoa consegue programar sem ajuda, a empresa busca avaliar se ela sabe trabalhar bem com os recursos disponíveis. Outras empresas estão seguindo caminho semelhante fora da tecnologia.

Segundo o Irish Times, consultorias e companhias de setores como marketing, pesquisa e direito começaram a incluir exercícios nos quais os candidatos precisam demonstrar como usam IA para analisar dados, aprimorar respostas ou resolver situações profissionais.

Quando a empresa não quer IA

Em processos nos quais o objetivo continua sendo medir o raciocínio individual, as entrevistas ao vivo ganham importância. A Anthropic, por exemplo, informa aos candidatos que o uso de IA não é permitido durante entrevistas presenciais, a menos que a empresa autorize. A justificativa é observar como a pessoa pensa e resolve problemas em tempo real.

Isso cria dois modelos que devem conviver: processos que proíbem a IA para avaliar conhecimentos individuais e processos que permitem a tecnologia para medir a capacidade de usá-la profissionalmente.

Para quem busca emprego, a preparação também muda. Decorar respostas pode ser menos eficaz quando o entrevistador pode pedir explicações, alterar o problema no meio da conversa ou questionar o motivo de uma decisão. Saber usar IA passa a ser uma competência passível de avaliação, mas compreender o próprio trabalho continua essencial para sustentar a conversa.