Trump e Xi endossam termo “superinteligência” enquanto Meta investe em laboratório bilionário

A nova denominação proposta pelos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgou na sexta-feira, 25, que o presidente chinês, Xi Jinping, concordou em adotar o termo “superinteligência” em lugar de “inteligência artificial”. Em mensagem no Truth Social, Trump descreveu o encontro como “muito produtivo” e afirmou que “coisas extraordinárias estão por vir”.

Trump escreveu: “a reunião foi muito produtiva com o Xi, tanto para os EUA quanto para a China. Coisas extraordinárias estão por vir. Assim como quase todos, ele pareceu gostar de chamar a inteligência artificial… de um nome muito mais preciso e importante: SUPERINTELIGÊNCIA.”

Uma semana antes, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em 22, Trump já havia determinado que o governo americano passaria a usar “superinteligência” (SI) em todos os documentos oficiais. O presidente argumenta que a palavra “artificial” afasta a tecnologia dos humanos, enquanto “super” reforça a ideia de uma ferramenta a serviço das pessoas, uma tentativa de neutralizar a conotação negativa associada ao termo original.

Impacto político e debate sobre riscos

A mudança de nome ocorre em meio a um embate público sobre os riscos existenciais da IA. Trump classificou alertas de executivos do setor, como Dario Amodei (Anthropic) e Sam Altman (OpenAI), como “boato da esquerda radical”, enquanto os dois CEOs pediam controles internacionais mais rigorosos no Conselho de Segurança da ONU.

O presidente também informou que o Departamento de Justiça monitorará usos ilegais da tecnologia, mas evitou propor novas regulamentações. Analistas ligam essa postura ao temor de que frear o desenvolvimento da IA coloque os Estados Unidos em desvantagem na disputa tecnológica com a China. O tema dominou a visita de Estado de Xi a Washington, que incluiu um jantar na Casa Branca com a presença de líderes como Mark Zuckerberg, Altman e Elon Musk.

Meta e sua aposta bilionária na superinteligência

A Meta criou o Meta Superintelligence Labs (MSL) em 30 de junho de 2025, após investir US$ 14,3 bilhões em uma participação na Scale AI para trazer seu fundador, Alexandr Wang, então com 28 anos, como diretor de IA — o primeiro cargo desse tipo na história da empresa.

O laboratório recrutou pesquisadores de destaque de concorrentes como OpenAI, Google DeepMind e Anthropic, chegando a cerca de 3 mil funcionários. Uma equipe de elite, chamada TBD Lab, foi formada para desenvolver modelos de próxima geração, entre eles o Muse Spark, que alimenta o assistente pessoal Muse.

Em março de 2026, a Meta estabeleceu uma unidade paralela de “engenharia de IA aplicada” sob o comando do CTO Andrew Bosworth, o que reduziu a autonomia de Wang e sinalizou uma prioridade maior em produtos de receita imediata em vez de pesquisa de longo prazo.

Em outubro do mesmo ano, a empresa cortou cerca de 600 vagas do laboratório, afetando áreas de pesquisa fundamental, IA aplicada e infraestrutura, mas preservando o TBD Lab. Wang permanece à frente da divisão, e a Meta continua contratando para o núcleo de pesquisa mais avançada, inclusive profissionais vindos da OpenAI e da Thinking Machines, startup fundada pela ex-CTO da OpenAI, Mira Murati.

Mark Zuckerberg voltou a usar o termo “superinteligência” em setembro, ao explicar a visão de longo prazo por trás do lançamento do Muse, mantendo a palavra no vocabulário oficial da companhia apesar das turbulências internas.