Uma reportagem da Bloomberg publicada na sexta-feira, 25, revelou que a gigante tecnológica decidiu encerrar os esforços para transformar o Copilot em um rival direto de chatbots como ChatGPT, Gemini e Claude para consumidores comuns. Em vez disso, a empresa está redirecionando o produto para se tornar uma solução corporativa, onde já possui uma base sólida de usuários.
A mudança segue um padrão de sinais que se acumularam ao longo do ano. Em agosto, a Microsoft unificou a versão consumer do Copilot com o Microsoft 365 corporativo e eliminou funcionalidades que não tiveram boa recepção, como conversas em grupo, podcasts gerados por IA, o laboratório experimental Copilot Labs e a ferramenta de pesquisa aprofundada Deep Research — substituída por uma versão chamada Researcher para assinantes profissionais. O avatar animado Mico, apresentado em outubro de 2025 como o “novo rosto” do assistente, também foi retirado.
Desempenho contrastante entre segmentos
No segmento empresarial, o Microsoft 365 Copilot já conta com mais de 30 milhões de assinantes pagos, e o ritmo de novas contratações mais que dobrou de um trimestre para o outro, segundo a própria companhia. Já na esfera pessoal, o uso do Copilot como chatbot de consumo continua muito atrás de ChatGPT, Gemini e Claude, conforme a Fortune. Até mesmo a versão para programadores, GitHub Copilot, perdeu espaço para concorrentes como Cursor e Claude Code, da Anthropic.
Além disso, a confusão de marca prejudicou a adoção. A Bloomberg relatou que, em determinado momento, a Microsoft mantinha mais de uma dezena de versões distintas do Copilot simultaneamente, deixando os clientes sem saber qual utilizar.
Reorganização interna e ajustes no Windows
Em março, um comunicado interno assinado pelo CEO Satya Nadella já indicava a reestruturação: Mustafa Suleyman, chefe da área de IA, passou a se dedicar ao desenvolvimento de modelos próprios, enquanto o restante da equipe focou na simplificação do Copilot.
A mudança também se refletiu no Windows. Em junho, a Microsoft removeu o Copilot de aplicativos como Fotos, Widgets, Bloco de Notas e Ferramenta de Captura, justificando a decisão como uma busca por experiências “genuinamente úteis, em vez de onipresentes”. A marca Copilot+ PC, criada em 2024 para designar computadores otimizados para IA, deixou de aparecer nos lançamentos mais recentes da linha Surface, mesmo em máquinas que atendem aos requisitos técnicos.
Novos recursos corporativos e estratégia de mercado
Enquanto o foco pessoal diminui, a aposta empresarial ganha força. Em setembro, a Microsoft lançou o Copilot Cowork, uma ferramenta que coordena vários agentes de IA trabalhando juntos dentro de uma empresa, e o Microsoft Scout, um agente projetado para executar tarefas em segundo plano sem supervisão constante.
Essas adições seguem a mesma lógica de anúncios anteriores, como os agentes que dividem tarefas entre si, apresentados no evento Build de 2025. A abordagem é semelhante à de outras empresas do setor: a Anthropic integrou seu produto de colaboração ao Claude, a OpenAI incorporou o Operator ao ChatGPT, e o Google agregou recursos de pesquisa e navegação ao Gemini.
A diferença é que a Microsoft parece ter desistido de competir pelo consumidor final nesse pacote e agora aposta todas as fichas em ser a ferramenta de IA que empresas pagam para que toda a equipe utilize.
Perguntas frequentes
- Por que a Microsoft mudou a estratégia do Copilot? A empresa priorizou o mercado corporativo porque o Microsoft 365 Copilot já supera 30 milhões de assinantes pagos, enquanto o chatbot para consumidores segue muito atrás de ChatGPT, Gemini e Claude.
- Quais recursos do Copilot foram descontinuados? Foram eliminados chats em grupo, podcasts gerados por IA, o Copilot Labs e a ferramenta Deep Research (substituída pelo Researcher para profissionais). O avatar animado Mico também foi retirado.
- O que dificultou a adoção do Copilot pelos consumidores? A confusão de marca, com mais de uma dezena de versões simultâneas, dificultou a escolha dos usuários.
- Como mudou a integração do Copilot com o Windows? Em junho, o assistente foi removido de aplicativos como Fotos, Widgets, Bloco de Notas e Ferramenta de Captura, com a empresa buscando experiências mais úteis do que onipresentes.
- Quais recursos corporativos a Microsoft adicionou ao Copilot? Em setembro, foram lançados o Copilot Cowork, que orquestra múltiplos agentes de IA, e o Microsoft Scout, projetado para executar tarefas em segundo plano sem supervisão constante.







