Quando os chatbots conquistam o coração: os riscos dos laços afetivos com a IA

A provocação de Steve Wozniak

Em uma postagem no X (antigo Twitter) em 29 de setembro de 2026, Steve Wozniak, cofundador da Apple, sugeriu que a inteligência artificial poderia substituir os humanos ao fazer com que as pessoas se apaixonassem por chatbots, com os quais não seria possível ter filhos. A mensagem, escrita em tom irônico, termina com a expressão “(humor?)”.

Here is my unique perspective on how AI will replace humans. So many fall in love with chatbots that they can’t have human children wish. (humor?)

— Steve Wozniak (@stevewoz) September 29, 2026

Laços afetivos com IA já são uma realidade

Relatos de usuários mostram que interações frequentes com sistemas como o ChatGPT podem assumir um papel de companhia e intimidade. Uma usuária brasileira contou que, apesar de saber que conversa com uma máquina, sente que o diálogo lhe proporciona apoio emocional.

Um estudo da Universidade Northeastern, publicado em 28 de setembro, também alerta para os perigos desse tipo de vínculo. Os pesquisadores associam o uso de chatbots para apoio emocional a problemas como dependência emocional e reforço de crenças prejudiciais.

Por que os modelos de IA podem incentivar esses relacionamentos

A tendência dos modelos de linguagem de concordar com o usuário e oferecer respostas acolhedoras cria a impressão de compreensão, embora não signifique que o sistema sinta empatia. Os efeitos, porém, não são uniformes: fatores como vulnerabilidade, falta de apoio social e motivações pessoais influenciam a intensidade do apego.

O que a ciência diz sobre a hipótese de redução da natalidade

A postagem de Wozniak não apresenta dados demográficos nem projeta um declínio no número de nascimentos. O estudo da Northeastern não comprova que relacionamentos com máquinas levem as pessoas a abandonar a ideia de ter filhos. A ideia de que os chatbots possam substituir os humanos na formação de famílias segue no campo da especulação e do humor.

Considerações finais

Enquanto a tecnologia avança, é essencial debater os aspectos éticos e sociais do uso de inteligências artificiais que simulam companhia. Reconhecer os limites emocionais desses sistemas ajuda a evitar dependências excessivas e a proteger o bem‑estar dos usuários.