O novo regime tributário e seu potencial
O presidente da Positivo Tecnologia, Hélio Bruck Rotenberg, avalia que o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata) pode elevar a competitividade brasileira na atração de investimentos em infraestrutura de data centers e inteligência artificial. Ao reduzir custos de equipamentos para projetos habilitados, o regime cria condições para a expansão da capacidade computacional e para o fortalecimento da produção nacional de servidores. Ainda assim, Rotenberg alerta que o país precisa avançar em energia acessível, conectividade de qualidade, segurança jurídica e formação de profissionais qualificados para consolidar essa vantagem.
Como o Redata funciona na prática
A legislação concede benefícios fiscais federais para equipamentos destinados a data centers que aderirem ao programa. Essa medida diminui o peso tributário sobre projetos que dependem de servidores, ao mesmo tempo em que mantém espaço para que fabricantes brasileiros participem da cadeia produtiva. “Quando a indústria nacional tem capacidade de fornecer um determinado modelo, a produção local continuará sendo mais competitiva, e com menos impostos com o Redata”, observa Rotenberg.
“Vemos o Redata como um avanço enorme e muito oportuno para o Brasil. Ele melhora a capacidade de disputar novos investimentos em data centers e, ao mesmo tempo, cria condições para que esse crescimento também fortaleça a indústria de tecnologia instalada no país.”
A demanda por capacidade computacional e o papel da Positivo
O avanço da inteligência artificial elevou a necessidade de infraestrutura capaz de processar grandes volumes de dados, tornando os data centers um elemento central para empresas que desenvolvem e utilizam modelos de IA. A Positivo Tecnologia, embora não opere data centers, fabrica servidores no Brasil e identifica uma demanda reprimida no mercado. Antes da mudança tributária, muitas empresas já estudavam a expansão de capacidade, mas a carga fiscal pesava na decisão. “Muitos data centers estudavam a expansão de capacidade e novos investimentos. Claramente a questão tributária pesava nessa decisão. Com o Redata, essa equação ficou mais favorável e acredito que veremos movimentos no curtíssimo prazo”, afirma o executivo.
Produção local de servidores e os limites da cadeia global
Fabrica��r servidores no Brasil não significa produzir todos os componentes localmente. Tecnologias como GPUs e processadores continuam concentradas em cadeias globais de fornecimento. A etapa nacional envolve engenharia, integração, montagem, configuração, testes, personalização e suporte. “Produzir servidor no Brasil não significa fabricar aqui cada componente que existe dentro dele. GPUs, processadores e outras tecnologias avançadas são produzidos por cadeias globais bastante concentradas”, explica Rotenberg. O Redata reconhece essa realidade ao permitir o acesso a tecnologias importadas e preservar a competitividade de quem fabrica servidores no país.
“O Redata foi muito feliz ao reconhecer essa realidade. Permite o acesso às tecnologias que ainda não são produzidas no Brasil e preserva a competitividade de quem fabrica servidores no país.”
Impacto esperado e desafios pendentes
O efeito inicial do Redata deve ser sentido principalmente pelas empresas privadas que já demandam capacidade computacional. A expansão da infraestrutura também deve beneficiar universidades, instituições científicas e projetos de inovação, já que a lei exige que data centers habilitados disponibilizem parte de sua capacidade ao mercado brasileiro e invistam em pesquisa, desenvolvimento e inovação vinculados aos equipamentos incentivados.
“O setor privado provavelmente sentirá o impacto primeiro, mas o ganho pode se espalhar rapidamente. A tendência é a ampliação da capacidade computacional disponível no Brasil e o fortalecimento da indústria que produz a infraestrutura necessária para sustentar esse crescimento.”
Apesar do otimismo, Rotenberg ressalta que a competitividade tributária não resolve sozinha todos os desafios. “Para competir globalmente, o país precisa combinar competitividade tributária com energia disponível e competitiva, boa conectividade, segurança jurídica, profissionais qualificados e agilidade para colocar os projetos em operação”, afirma.
Perspectivas para os próximos anos
O executivo acredita que os próximos cinco anos podem ser muito promissores para os data centers no Brasil e, consequentemente, para o mercado de servidores. “Se houver avanços nessas outras frentes com a mesma determinação, será possível atrair novos investimentos e ampliar a infraestrutura de inteligência artificial no país”, projeta.







