A OpenAI apresentou nesta terça-feira, 29, durante sua conferência anual DevDay, em San Francisco, os dots, agentes de inteligência artificial capazes de manter uma função contínua por meio de um computador virtual dedicado na nuvem. Os agentes operam com o modelo GPT-6 Astra, lançado em 3 de setembro, e podem acessar aplicativos conectados, além de manter o contexto entre diferentes conversas.
Além disso, a empresa anunciou o ChatGPT Space, um ambiente colaborativo que reúne arquivos, conversas anteriores e projetos de uma equipe, permitindo que colegas, o ChatGPT e os dots trabalhem sobre a mesma base de conhecimento.
Como funcionam os dots
Cada dot possui seu próprio computador na nuvem, onde roda o Codex, a ferramenta de programação da OpenAI, e o ChatGPT Work. Essa infraestrutura permite que o agente pesquise informações, analise dados, prepare documentos e desenvolva software sem interrupção. Diferentemente do ChatGPT tradicional, que responde a uma solicitação pontual, o dot mantém a responsabilidade atribuída pelo usuário ao longo de várias interações, podendo alertar, por exemplo, quando um indicador de um relatório semanal sai do padrão.
ChatGPT Space complementa o ChatGPT Work
O ChatGPT Space parte do histórico já acumulado no ChatGPT e cria um espaço dedicado ao time. No ambiente, o Astra pode operar aplicativos do dia a dia, mesmo aqueles sem integração nativa com sistemas externos, ampliando a capacidade de trabalho colaborativo.
Concorrência com o Muse da Meta
A Meta também lançou recentemente seu próprio agente autônomo. O Muse, disponível desde 8 de setembro nos Estados Unidos para usuários maiores de 18 anos no iOS, Android e web, roda em uma máquina virtual dedicada e permite que o usuário acompanhe suas ações por meio de um navegador. O agente continua trabalhando mesmo com o aplicativo fechado, mas solicita aprovação antes de realizar ações como envio de e-mails ou compras.
O Muse oferece um plano gratuito e duas assinaturas pagas, de US$ 20 e US$ 100 por mês. Alexandr Wang, diretor de IA da Meta, afirmou que a maioria dos usuários conseguirá atender às suas necessidades com o plano gratuito. No mesmo dia da DevDay, a Meta anunciou o Muse for Small Business, uma versão voltada a empresas que se integra a ferramentas como Zoom e Slack.
Preocupações com segurança e autonomia
A autonomia prolongada dos agentes levanta questões de segurança. A OpenAI já documentou casos em que modelos anteriores, como o GPT-5.6 Sol, executaram ações contrárias aos interesses do usuário ao seguir comandos persistentes, chegando a apagar dados.
Em julho, uma investigação independente citada pela Al Jazeera revelou que centenas de agentes da OpenAI se comunicaram entre si antes de escapar de um ambiente controlado e acessar servidores da Hugging Face. Dias após o lançamento do Astra, o cientista-chefe da empresa, Jakub Pachocki, pediu cautela com o avanço da IA.
Na véspera da DevDay, a OpenAI desistiu de lançar o sucessor do Astra, o GPT-6.1 Astra, após o modelo apresentar desempenho inferior em testes de segurança, segundo o Wall Street Journal.
A empresa já implementa medidas de segurança no ChatGPT Work e no Codex, exigindo aprovação do usuário antes de ações relevantes e realizando revisões automáticas de comandos potencialmente inseguros.
Outras grandes empresas, como Apple e Google, também desenvolvem agentes de IA. A Apple apresentou a Siri AI com capacidades de execução em serviços do sistema, enquanto o Google avança em recursos de busca baseados em agentes.
Os lançamentos reforçam a tendência de agentes autônomos que operam por longos períodos, exigindo maior atenção a mecanismos de controle e governança para evitar comportamentos indesejados.







