A consultoria Bain & Company calcula que, para manter o ritmo de expansão da infraestrutura de inteligência artificial, o setor precisará movimentar US$ 6 trilhões em receitas por ano até 2031. O cálculo parte do pressuposto de que os investimentos em equipamentos e data centers corresponderão a 25% do total de vendas nesse período.
O relatório de tecnologia de 2026, divulgado na terça-feira, dia 29, começa com uma base de US$ 1,5 trilhão em investimentos anuais previstos para aquele ano. Os US$ 6 trilhões, portanto, representam a necessidade anual de receita para sustentar o crescimento, e não a soma de todos os ganhos até o final da década.
Além do custo bilionário para construir a infraestrutura, o desafio está em encontrar clientes dispostos a pagar por ela. Depois de adquirir servidores e erguer centros de processamento, as empresas precisam transformar essa capacidade em negócios lucrativos que justifiquem o gasto.
Aplicações atuais não são suficientes para cobrir o déficit
Segundo a projeção da Bain, as receitas provenientes de assinaturas e publicidade em produtos de consumo poderiam atingir entre US$ 200 bilhões e US$ 400 bilhões em 2031. As soluções corporativas adicionariam de US$ 1 trilhão a US$ 1,4 trilhão aos cofres dos fornecedores de tecnologia.
Mesmo considerando o limite máximo dessas estimativas, ainda haveria um déficit de US$ 4,2 trilhões para alcançar o patamar necessário. Para preencher essa lacuna, o estudo cita setores como veículos autônomos, robótica, descoberta de medicamentos e desenvolvimento de novos materiais.
A diferença é de natureza econômica: quando uma empresa economiza recursos graças à IA, nem todo esse ganho se converte em receita para quem fornece a tecnologia. Se uma ferramenta reduz o tempo para executar uma tarefa, o cliente retém parte do benefício. Para o vendedor, o faturamento depende do preço cobrado e da disposição do comprador em pagar por ele.
Quem arcará com a infraestrutura construída?
O dilema está diretamente ligado ao debate sobre como financiar a infraestrutura de IA. A construção de data centers e a compra de equipamentos exigem desembolsos significativos antes mesmo de se saber qual será o retorno dos serviços vendidos sobre essa estrutura.
O cenário traçado pela Bain não afirma que o investimento fracassará, mas aponta as condições necessárias para mantê-lo viável. A eficiência dos sistemas, os preços praticados e a taxa de utilização dos equipamentos podem alterar essa equação.
Na corrida atual, anunciar capacidade computacional já não é suficiente. O fator decisivo será o valor que os clientes estiverem dispostos a pagar para utilizá-la. Uma infraestrutura capaz de gerar inteligência também precisa encontrar demanda disposta a cobrir os custos.
Perguntas frequentes
Os US$ 6 trilhões serão gerados até 2031?
Não. A Bain estima que esse valor representa a receita anual necessária em 2031 para sustentar os investimentos projetados.
Essa receita está garantida?
Não. Trata-se de uma estimativa baseada nas premissas do relatório, e não de uma previsão de faturamento assegurado.
Por que a economia gerada pela IA não basta para pagar a infraestrutura?
O ganho obtido pelo cliente não se transfere integralmente para o fornecedor. A conversão em receita depende da cobrança pelo serviço e da disposição do cliente em pagar.







