Corrida pela inteligência artificial entre EUA e China não terá vencedor isolado, avalia analista do Bank of America

Em entrevista concedida a um jornal na segunda-feira (21), Matty Zhao, co-chefe de ações da China no Bank of America Global Research, afirmou que nenhum dos dois países conseguirá dominar sozinho o setor de inteligência artificial. A declaração foi feita às vésperas de uma cúpula bilateral de alto nível entre Washington e Pequim.

Cadeias de suprimentos interligadas

Segundo Zhao, as cadeias tecnológicas das duas economias estão profundamente conectadas. A China avançou em redes elétricas e equipamentos de manufatura, mas ainda depende de fornecedores estrangeiros para chips avançados, memória e alguns materiais de ponta. Os Estados Unidos, por sua vez, enfrentam limitações na infraestrutura elétrica: a rede americana tem, em média, entre 30 e 40 anos de idade, enquanto a chinesa tem entre 15 e 20 anos.

Investimentos e infraestrutura

Em 2024, o investimento privado em IA nos Estados Unidos atingiu US$ 109,1 bilhões, muito acima dos cerca de US$ 9,3 bilhões registrados na China, segundo o Índice de IA 2025 da Universidade Stanford. A diferença de recursos reflete também a capacidade de expansão de data centers, que nos EUA já gera resistência política devido ao aumento dos custos de energia.

Hardware, modelos e aplicações práticas

A China conseguiu obter chips avançados, como o H100 e o H800 da Nvidia, e equipamentos para a SMIC por meio de empresas de fachada e da taiwanesa TSMC. Ainda assim, o hardware de IA chinês opera hoje entre 70% e 100% do desempenho do H100, com eficiência energética ainda mais baixa. Instituições americanas produziram 40 modelos de IA notáveis em 2024, contra 15 da China, mas analistas destacam que o país asiático avança mais rapidamente na aplicação da tecnologia em fábricas, logística e veículos.

Implicações para a competição global

A interdependência das cadeias de suprimentos e as limitações de infraestrutura sugerem que a corrida pela IA será definida mais pela capacidade de integração e uso prático do que por isolamento tecnológico. Enquanto os Estados Unidos lideram na construção de modelos avançados, a China busca transformar a tecnologia em vantagens competitivas em setores industriais.