Um estudo de 2025 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em parceria com o instituto polonês NASK, analisou quase 30 mil atividades profissionais e estimou que um em cada quatro trabalhadores está em uma ocupação com algum grau de exposição à IA generativa. Isso não significa, porém, que esses empregos serão substituídos. Na maior parte dos casos, espera-se uma transformação das atividades, com a IA assumindo algumas tarefas enquanto o profissional mantém outras.
Quais tarefas têm maior potencial de automação
Segundo a OIT, as ocupações administrativas continuam entre as mais expostas à IA generativa, pois grande parte de suas atividades envolve informações digitais processáveis por sistemas de linguagem.
As tarefas com maior potencial incluem:
- Entrada e organização de dados
- Transcrição e formatação de documentos
- Produção de textos padronizados
- Resumo de informações
- Classificação de documentos
- Elaboração de relatórios simples
- Pesquisa e consolidação de informações
O levantamento também identifica exposição crescente em funções profissionais e técnicas, como analistas financeiros, desenvolvedores web e multimídia, programadores e consultores de investimento. Isso ocorre porque os modelos de IA agora são capazes de executar atividades mais especializadas, como escrever código, analisar documentos e trabalhar com grandes volumes de informação.
Atividades digitais são mais vulneráveis à automação
Pesquisas mostram que quanto mais uma atividade depende de informações já disponíveis em formato digital, maior é a chance de uma ferramenta de IA participar de sua execução.
Um profissional de marketing, por exemplo, pode continuar responsável pela estratégia de uma campanha, enquanto utiliza IA para gerar versões de textos, resumir pesquisas, organizar dados ou adaptar conteúdos para diferentes públicos.
Na área financeira, a tecnologia pode auxiliar na consolidação de dados, comparação de documentos e elaboração de análises preliminares, mas decisões que envolvem risco, contexto e responsabilidade continuam dependendo do profissional.
A Anthropic chegou a uma conclusão semelhante ao analisar milhões de interações com o Claude. Seu Índice Econômico inicial mostrou que 57% do uso observado estava associado à colaboração ou ampliação do trabalho humano, enquanto 43% envolvia tarefas realizadas diretamente pela IA.
E-mails, textos e pesquisas também entram na lista
Outro grupo de atividades com potencial de automação envolve a comunicação profissional. Escrever um primeiro rascunho de e-mail, resumir uma reunião, transformar anotações em um documento, revisar um texto ou reunir informações para uma apresentação são exemplos de tarefas que podem ser parcialmente executadas por sistemas generativos.
A Microsoft também identificou mudanças nesse tipo de trabalho. Seu Work Trend Index de 2025, baseado em uma pesquisa com 31 mil trabalhadores do conhecimento em 31 mercados, apontou a expansão do uso de agentes de IA para pesquisa, análise de dados e execução de processos.
A diferença está entre automatizar uma tarefa e automatizar uma profissão. Uma profissão normalmente reúne dezenas de atividades diferentes. Mesmo quando uma parte considerável delas pode ser realizada por IA, outras podem exigir comunicação, julgamento, responsabilidade, criatividade ou interação física.
O que ainda depende mais do profissional
A automação encontra mais obstáculos quando uma atividade exige julgamento contextual, interação humana complexa ou responsabilidade sobre decisões. Ferramentas podem ajudar na preparação, análise e execução de partes dessas atividades, mas a participação humana continua relevante.
Para os trabalhadores, uma forma prática de acompanhar essa mudança é dividir a própria rotina em três grupos:
- Tarefas repetitivas, que podem ser automatizadas;
- Tarefas assistidas por IA, nas quais a tecnologia acelera parte da execução;
- Tarefas de decisão, que exigem avaliação, contexto e responsabilidade.
Implicações para quem trabalha
Os estudos não apontam para uma lista fixa de profissões que desaparecerão. O que aparece com mais clareza é uma mudança na composição das tarefas dentro dos empregos.
Um contador pode usar IA para organizar documentos e identificar inconsistências. Um jornalista pode utilizá-la para estruturar informações e transcrever entrevistas. Um programador pode delegar partes da escrita e revisão de código. Um profissional de recursos humanos pode automatizar etapas de triagem e produção de documentos.
Em todos esses casos, a tecnologia atua sobre atividades específicas. Para o trabalhador, portanto, conhecer as ferramentas é apenas uma parte da adaptação. Também passa a ser importante saber o que delegar à IA, como verificar suas respostas e quais decisões devem continuar sob responsabilidade humana.







