Profissionais viram peça-chave no treinamento de inteligências artificiais e abrem nova frente de renda

A expertise humana como insumo para modelos de IA

O setor de inteligência artificial passou a remunerar especialistas para que utilizem seus conhecimentos na formação e avaliação de sistemas automatizados. Em vez de criar algoritmos do zero, esses profissionais examinam respostas geradas, comparam alternativas, elaboram cenários complexos e detectam falhas que uma máquina não conseguiria identificar sozinha.

Áreas que dependem de conhecimento técnico, como direito, medicina, engenharia, programação, finanças e ciências, são as que mais oferecem oportunidades desse tipo.

Como o trabalho é realizado

Um modelo de IA não aprende apenas com grandes volumes de texto. Durante e após o treinamento, empresas precisam de pessoas capazes de avaliar a qualidade das respostas produzidas pelos sistemas.

Um advogado pode receber duas respostas sobre um conceito jurídico e indicar qual é mais precisa. Um programador pode revisar um código gerado pela IA e apontar erros. Um profissional de finanças pode verificar se uma análise de investimento faz sentido.

Essas avaliações geram sinais que os desenvolvedores usam para ajustar o comportamento dos modelos.

A OpenAI mantém uma iniciativa que reúne especialistas com pelo menos cinco anos de experiência em atividades de conhecimento. Esses profissionais podem participar de projetos de avaliação de sistemas de IA e compartilhar informações sobre diferentes áreas de atuação.

Tipos de atividades no mercado

  • Avaliação de respostas: comparar resultados e definir qual atende melhor aos critérios estabelecidos.
  • Criação de dados: elaborar perguntas, respostas e exemplos para uso em treinamento.
  • Testes de capacidade: criar problemas que verificam o que um modelo consegue fazer.
  • Red teaming: tentar encontrar falhas, comportamentos inadequados ou vulnerabilidades.
  • Avaliação especializada: analisar respostas que exigem conhecimento específico de uma profissão.

O objetivo é transformar o conhecimento humano em dados de treinamento e avaliação que possam ser usados no desenvolvimento dos modelos.

Exemplo disso é uma vaga aberta pela própria OpenAI para especialista em banco de investimento, responsável por converter práticas profissionais em requisitos de produto, avaliações e sinais de treinamento para sistemas de IA.

Remuneração e perspectivas de renda

O Financial Times relatou em 2025 que empresas de IA estavam ampliando a contratação de especialistas em áreas como biologia, finanças e física para produzir dados mais sofisticados para modelos de raciocínio.

Plataformas especializadas também divulgam oportunidades. A Aced, por exemplo, anuncia faixas de pagamento que podem superar US$ 100 por hora em projetos altamente especializados. Os valores são informados pela plataforma e não garantem remuneração fixa.

O pagamento varia conforme a especialidade, a experiência, o projeto, a localização e os critérios de seleção. Isso não significa que qualquer profissional conseguirá enriquecer treinando IA.

O conhecimento profissional ganha novo valor

Saber usar um chatbot é uma habilidade, mas julgar a qualidade de uma resposta, identificar inconsistências e explicar como uma tarefa deve ser executada exigem domínio do assunto.

Por isso, a experiência acumulada em uma profissão pode ser útil mesmo para quem nunca trabalhou diretamente com tecnologia.

Empresas de IA também incorporam essas funções. A Anthropic mantém equipes dedicadas a dados humanos, avaliações de modelos e especialistas de diversas áreas em sua estrutura de pesquisa e desenvolvimento.

Como o mercado funciona na prática

Um profissional interessado nesse tipo de trabalho geralmente precisa comprovar sua formação e experiência na área em que pretende atuar.

Os projetos podem ser temporários, remunerados por hora ou vinculados a tarefas específicas. Algumas plataformas atuam como intermediárias entre especialistas e empresas que desenvolvem sistemas de IA.

É importante verificar quem oferece o trabalho, os critérios de seleção, a forma de cálculo da remuneração e quais dados serão compartilhados com a empresa.

Existe ainda uma diferença entre tarefas de alta especialização e atividades de anotação mais simples. Nem toda vaga relacionada a treinamento de IA exige conhecimento técnico avançado, e os valores podem variar bastante.

No cenário atual, “ensinar uma IA” não se resume a conversar com um chatbot. Em muitos casos, significa aplicar conhecimento profissional para medir, corrigir e melhorar o desempenho de sistemas.

O resultado é a criação de uma nova camada de trabalho em torno dos modelos de inteligência artificial: enquanto engenheiros constroem os sistemas, especialistas ajudam a definir o que uma boa resposta, decisão ou execução deve representar.