Bracket22 troca equipe de analistas por IA e corta custos em 99%

Segundo a CNBC, o gestor financeiro Brian Kelly reformulou a operação da sua gestora, a Bracket22, substituindo uma equipe inteira de analistas por modelos de inteligência artificial. Antes, a empresa mantinha entre sete e oito profissionais em Nova York, Hong Kong e Califórnia para monitorar criptomoedas, ações e commodities.

A folha de pagamento e a infraestrutura dessa equipe global custavam cerca de US$ 5 milhões por ano. Ao transferir a pesquisa e a análise de dados para sistemas autônomos, os gastos com computação em nuvem caíram para uma faixa entre US$ 30 mil e US$ 40 mil anuais, resultando em uma redução de custos de 99%.

Estrutura de agentes autônomos na gestão de ativos

Para alcançar essa eficiência, Kelly replicou a hierarquia tradicional de uma corretora usando programas especializados. Ele declarou à CNBC que seu papel agora é ser “o ser humano na cadeira”, destacando que a decisão final sobre a aplicação do capital continua a cargo de uma pessoa física.

“the meat in the chair”

O ecossistema da empresa conta com quatro perfis de software que trabalham de forma coordenada:

  • Houston: central de comando que gerencia o fluxo de pesquisas e a comunicação entre os sistemas.
  • Desmond: focado em modelos quantitativos, realiza testes matemáticos durante os fins de semana.
  • Steffi Graf: desenvolvida para ser “a melhor analista técnica da sala”, dedicada à leitura detalhada de gráficos.
  • Doocey: atua como contraponto crítico, questionando e tentando derrubar os argumentos dos outros agentes.

Funcionamento contínuo dos sistemas no mercado financeiro

Segundo Kelly, uma das principais vantagens operacionais é a capacidade de monitorar ativos globais sem interrupções, “sem que ninguém precise acordar às 3 horas da manhã” para verificar oscilações em mercados internacionais. Essa continuidade permite o processamento ininterrupto de dados em diferentes fusos horários.

“sem que ninguém precise acordar às 3 horas da manhã”

Impacto no mercado de trabalho e tendências corporativas

Kelly prevê que o setor financeiro evoluirá para uma estrutura em que “um único gestor supervisiona um pequeno número de humanos, acompanhado por um enxame de agentes de inteligência artificial abaixo deles”, alterando a demanda por funções analíticas de entrada.

“um único gestor supervisionando um pequeno número de humanos, acompanhado por um enxame de agentes de inteligência artificial abaixo deles”

Grandes instituições de Wall Street também seguem essa tendência. Bancos como JPMorgan Chase e Morgan Stanley já usam agentes autônomos para realizar pesquisas analíticas complexas por várias horas seguidas. Relatórios do Goldman Sachs alertam, porém, que delegar excessivamente o raciocínio analítico a máquinas exige atenção constante para preservar o pensamento crítico dos gestores humanos.

O avanço da inteligência artificial mostra que o valor dos profissionais está migrando da execução repetitiva para a supervisão estratégica. A combinação entre ferramentas tecnológicas e tomada de decisão qualificada se consolida como o principal diferencial para o desenvolvimento profissional no mercado corporativo.