Em trechos da entrevista ao programa Meet the Press, da rede americana NBC, divulgados na sexta-feira, 25, Bill Gates afirmou que a inteligência artificial tem potencial para provocar eventos capazes de resultar na morte de até um bilhão de pessoas. O cofundador da Microsoft disse à jornalista Kristen Welker que “a IA certamente tem poder suficiente para provocar eventos que causariam um bilhão de mortes”.
Para Gates, o maior perigo não está apenas na existência da tecnologia, mas na sua utilização por pessoas com más intenções. “Mesmo sendo bem difícil chegar a 100% [de eficácia], nunca existiu uma arma tão poderosa quanto a combinação de pessoas com más intenções usando as ferramentas de IA mais recentes”, afirmou.
De entusiasta a defensor de controles
Até recentemente, Gates era conhecido por uma visão otimista da IA. Em 2024, ele declarou à CNBC que, se fosse fundar uma empresa hoje, apostaria tudo na inteligência artificial, chamando o momento de “uma oportunidade fantástica”. Ele também destacou o potencial da tecnologia para suprir carências em saúde e educação em países como Índia e nações africanas.
No entanto, ao longo deste ano, seu tom mudou. Em agosto, Gates publicou no seu site pessoal, Gatesnotes, um ensaio de quase 12 páginas intitulado A Turbulent AI Era and Critical Choices to Make, no qual definiu a IA como uma das tecnologias mais consequentes da história.
Ele listou três riscos que, segundo ele, os líderes globais ainda não estão preparados para enfrentar: o desaparecimento definitivo de empregos, o fortalecimento de criminosos e o comprometimento do desenvolvimento infantil. “A IA será o maior equalizador já inventado, ou a pior fonte de injustiça já criada”, escreveu. “No ritmo e na velocidade atuais, há uma chance muito alta de um resultado líquido negativo.”
Medidas propostas para mitigar os perigos
Para conter esses riscos, Gates defende ações concretas. Ele propõe a criação de empregos reservados exclusivamente a humanos, a taxação dos tokens de IA — unidades que medem o processamento consumido por cada consulta a um modelo — e a formação de novas instituições de governança. Segundo ele, essas medidas devem ser adotadas antes que a confiança pública na tecnologia se deteriore.
Outras vozes da indústria
O alerta de Gates se soma a uma crescente preocupação dentro do setor. O CEO da Anthropic, Dario Amodei, já defendeu que a indústria reduza o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados. O pesquisador Jacob Coxon deixou a Anthropic neste mês, alertando que a corrida pela IA pode sair do controle. Em posição oposta, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou ver “zero chance” de a IA acabar com a humanidade até 2030.







