O que faria esse profissional
A expansão dos agentes de inteligência artificial está abrindo espaço para uma função ainda sem nome consolidado. Esse profissional seria responsável por definir as tarefas dos agentes, monitorar seu desempenho, corrigir eventuais erros e integrar as ferramentas ao dia a dia da empresa. Diferentemente de um chatbot tradicional, os agentes de IA podem consultar bases de dados, usar outras ferramentas e executar etapas de um processo com pouca intervenção humana.
Na prática, uma organização poderia ter agentes dedicados a organizar informações de clientes, elaborar relatórios, acompanhar indicadores ou apoiar equipes comerciais. Para que isso funcione, alguém precisa decidir quais atividades podem ser automatizadas, estabelecer regras claras e verificar se o resultado gerado pelo sistema está correto. O perfil ideal não seria necessariamente o de um programador, mas alguém que combine conhecimento técnico de IA, compreensão dos processos de negócio e familiaridade com o setor onde a tecnologia será aplicada.
O mercado já começa a criar essas funções
Ainda não existe uma profissão única e oficialmente reconhecida para essa atividade, mas já surgem cargos que reúnem partes dessas responsabilidades. Um estudo do LinkedIn, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial em janeiro de 2026, projetou a criação de 1,3 milhão de novos empregos relacionados à IA em dois anos, incluindo funções como engenheiro de IA, engenheiro forward-deployed e anotador de dados. O mesmo levantamento identificou o crescimento de posições de liderança voltadas para a inteligência artificial.
O Fórum Econômico Mundial também passou a discutir a possibilidade de que gestores tratem agentes de IA como “trabalhadores digitais”, o que exigiria novas habilidades de supervisão, construção de confiança e definição de tarefas. O Future of Jobs Report 2025, também do Fórum, estima que quase 40% das habilidades exigidas no trabalho devem mudar até 2030, destacando a inteligência artificial, o big data e a alfabetização tecnológica como competências de crescimento mais rápido.
Uma função entre tecnologia e negócio
A emergência dessa ocupação reflete uma mudança na forma como o trabalho é distribuído. Em vez de usar a IA apenas para responder perguntas ou gerar textos, as empresas podem começar a delegar a ela a execução de processos inteiros. Um exemplo prático seria a criação de um fluxo em que um agente coleta dados, outro organiza as informações e um terceiro prepara uma análise para revisão humana.
Entre as atividades típicas dessa função estão:
- definir objetivos e limites dos agentes;
- acompanhar resultados e identificar erros;
- organizar os dados utilizados pelos sistemas;
- conectar diferentes ferramentas;
- decidir quando uma tarefa precisa de revisão humana.
O nome pode surgir depois da função
A história do mercado de trabalho mostra que novas atividades nem sempre começam com uma profissão claramente definida. O próprio LinkedIn identificou que mais de 10% dos trabalhadores contratados globalmente atualmente ocupam cargos com títulos que não existiam em 2000. Com a inteligência artificial, o mesmo processo pode se repetir: primeiro surgem novas responsabilidades dentro das empresas, depois essas atividades são agrupadas em cargos, especializações e, eventualmente, em uma profissão reconhecida pelo mercado.







