A presença de agentes de inteligência artificial em programas empresariais deve aumentar rapidamente nos próximos meses. Segundo projeção do Gartner, até o fim de 2026, 40% dos aplicativos corporativos terão agentes de IA capazes de realizar tarefas específicas. Em 2025, a estimativa era inferior a 5%.
Essa mudança representa um avanço em relação aos assistentes de IA tradicionais, que geralmente dependem de comandos humanos para responder perguntas, gerar textos ou analisar dados. Os agentes podem receber uma tarefa, tomar decisões dentro de regras predefinidas e executar etapas de um processo de forma autônoma.
O crescimento não significa que os profissionais deixarão de usar os aplicativos. A tendência apontada pelo Gartner indica que parte do trabalho passará a ser executada pelo próprio software, enquanto os funcionários assumirão papéis de orientação, supervisão e validação.
O que são agentes de IA
Um agente de IA é um sistema capaz de realizar uma tarefa ou uma sequência de tarefas com certo grau de autonomia. Diferentemente de um chatbot convencional, que geralmente responde a uma solicitação, um agente pode planejar etapas e executar ações dentro de um ambiente digital.
Um exemplo seria um agente integrado a um sistema de atendimento. Em vez de apenas sugerir uma resposta para o funcionário, ele poderia consultar o histórico do cliente, identificar o problema, verificar informações em outros sistemas e encaminhar uma solução seguindo regras definidas pela empresa.
O Gartner distingue esses agentes dos assistentes incorporados aos aplicativos. A empresa considera os assistentes uma etapa anterior, pois dependem mais diretamente da interação humana. Já os agentes específicos para tarefas conseguem executar processos de ponta a ponta.
Como a IA pode transformar os aplicativos de trabalho
A incorporação de agentes pode alterar a maneira como os profissionais utilizam softwares de gestão, atendimento, vendas, recursos humanos e outras áreas.
Atualmente, uma tarefa pode exigir que o funcionário abra diferentes sistemas, copie informações, faça uma análise e registre o resultado. Com um agente conectado aos sistemas necessários, parte dessas etapas pode ser automatizada.
O Gartner prevê ainda uma evolução para agentes colaborativos. Até 2027, um terço das implementações de IA agentic poderá combinar agentes com diferentes habilidades para lidar com tarefas mais complexas.
Empresas já expandem o uso de agentes de IA
A previsão do Gartner ocorre em um cenário de expansão da tecnologia. Um estudo do IBM Institute for Business Value, realizado com dois mil CEOs em 2025, mostrou que 61% dos executivos entrevistados afirmaram estar adotando agentes de IA e se preparando para implementá-los em escala.
Dados da Microsoft também indicam crescimento no uso. O Work Trend Index de 2026, baseado em sinais de produtividade do Microsoft 365 e em uma pesquisa com 20 mil trabalhadores que usam IA em dez países, registrou um aumento de 15 vezes no número de agentes ativos no ecossistema Microsoft 365 em um ano.
No ambiente corporativo, portanto, a discussão começa a mudar. Em vez de perguntar apenas quais ferramentas de IA um funcionário pode utilizar, as empresas passam a avaliar quais processos podem ser executados por agentes.
Desafios e riscos da adoção de agentes autônomos
A adoção também cria novos riscos. Um agente com acesso a sistemas corporativos pode executar ações que afetam dados, clientes ou processos internos. Por isso, permissões, supervisão e rastreabilidade se tornam elementos importantes.
O próprio Gartner prevê que 40% das empresas poderão rebaixar ou desativar agentes autônomos até 2027 devido a falhas de governança identificadas após incidentes.
Outro ponto crítico é a integração. Para funcionar corretamente, um agente precisa acessar dados confiáveis e sistemas compatíveis. Sem essa estrutura, a automação pode apenas acelerar processos mal definidos.
Para os profissionais, isso significa que o conhecimento sobre como trabalhar com IA tende a envolver mais do que saber escrever bons comandos. Também passa por entender quais tarefas podem ser automatizadas, como validar resultados e quais decisões ainda precisam de supervisão humana.
O Gartner projeta que, até 2029, pelo menos metade dos trabalhadores do conhecimento desenvolverá novas habilidades para trabalhar com, governar ou criar agentes de IA sob demanda.
A expansão dos agentes também pode alterar o mercado de software. Outra projeção do Gartner estima que até US$ 234 bilhões em gastos com aplicativos empresariais estarão expostos ao impacto da IA agentic até 2030, conforme agentes passem a executar tarefas entre diferentes sistemas.
Para os profissionais, a mudança mais imediata está na forma de interação com as ferramentas. O software deixa de ser apenas um ambiente no qual o usuário realiza cada etapa manualmente e passa, em alguns casos, a executar parte do trabalho solicitado. A velocidade dessa transformação dependerá da integração dos agentes aos sistemas, da qualidade dos dados e das regras estabelecidas pelas empresas.







