Dois profissionais que ocupam o mesmo cargo e realizam atividades semelhantes podem receber remunerações distintas no mercado de trabalho. Uma das razões que ganha força para explicar essa disparidade está nas competências relacionadas à inteligência artificial.
O novo cenário não se limita à criação de funções especializadas: saber aplicar IA dentro de uma carreira também pode modificar o valor atribuído a um trabalhador.
O Global AI Jobs Barometer 2026, elaborado pela PwC, analisou mais de um bilhão de anúncios de emprego em 27 países e identificou um prêmio salarial médio de 62% para profissionais com habilidades em IA.
O cálculo compara salários anunciados para funções semelhantes que exigem competências de IA com aqueles de vagas que não as exigem.
A diferença pode surgir dentro da mesma profissão
O número não significa que qualquer pessoa que use ChatGPT passará automaticamente a ganhar 62% a mais.
A análise considera vagas que solicitam habilidades específicas, como engenharia de prompts e machine learning, e compara sua remuneração com posições semelhantes sem essas exigências.
A variação também muda bastante conforme o setor. No levantamento de 2026, o prêmio salarial chegou a 118% em alguns segmentos de consumo, enquanto ficou em 16% no setor público.
Em resumo, não existe uma tabela universal para “salário com IA”. O valor depende da profissão, do mercado e do tipo de competência procurada.
Por que a habilidade passou a valer mais?
Parte da explicação está na forma como as empresas estão reorganizando o trabalho.
A PwC identificou dois caminhos: há funções em que a IA facilita a execução de atividades antes restritas a especialistas e outras nas quais a tecnologia automatiza tarefas rotineiras e aumenta a importância do conhecimento humano.
Nas chamadas funções “profissionalizadas”, o trabalhador utiliza a IA para lidar com partes repetitivas da atividade e dedica mais tempo a julgamento, criatividade, liderança ou decisões complexas. Segundo o estudo, essas ocupações apresentaram crescimento de empregos duas vezes maior e aumento salarial 42% mais rápido do que as funções classificadas como “democratizadas”.
O que isso muda para quem já tem um cargo?
A habilidade mais valorizada pode não ser simplesmente “saber usar IA”, mas conseguir incorporá-la ao próprio trabalho.
Um profissional de marketing, por exemplo, pode utilizar ferramentas para analisar dados, testar ideias ou acelerar etapas da produção. Já um analista financeiro pode aplicar IA na organização e interpretação de informações.
O mercado começa a refletir essa mudança. Segundo a PwC, vagas que exigem habilidades específicas de IA cresceram 69%, contra 9% do mercado de trabalho analisado.
No LinkedIn, a IA também aparece como um dos fatores que devem acelerar a transformação das competências utilizadas nas profissões: a plataforma estima que 70% das habilidades usadas na maioria dos empregos mudarão até 2030.
A tendência, portanto, é que a diferença entre profissionais com a mesma função passe cada vez mais pelo que cada um consegue fazer com as novas ferramentas.







