A inteligência artificial deve alterar significativamente o trabalho dos diretores de marketing nos próximos dois anos. Segundo uma pesquisa da Gartner realizada entre agosto e outubro de 2025 com 402 líderes de marketing da América do Norte e da Europa, 65% dos CMOs entrevistados concordaram com essa previsão.
O estudo, divulgado em fevereiro de 2026, revela, porém, uma lacuna entre a expectativa de impacto e a preparação dos profissionais. Apenas 32% dos CMOs afirmaram que mudanças significativas seriam necessárias em seu perfil e conjunto de habilidades.
Como a inteligência artificial pode mudar o trabalho
A transformação vai além da geração de textos ou imagens. Ferramentas de IA generativa já são usadas para análise de dados, pesquisa de mercado, criação de conteúdo, personalização de campanhas e elaboração de relatórios.
Com o avanço dos chamados agentes de IA, sistemas capazes de executar sequências de tarefas com menor intervenção humana, essas soluções também entram no radar das equipes de marketing.
Isso pode deslocar parte do trabalho dos profissionais. Em vez de dedicar tempo principalmente à execução operacional, as equipes podem precisar definir objetivos, revisar resultados e decidir como a tecnologia será aplicada.
Um exemplo é uma campanha de marketing. A IA pode ajudar a produzir diferentes versões de uma mensagem, analisar dados de desempenho e identificar padrões de comportamento. A decisão sobre público, posicionamento e objetivos comerciais, porém, continua dependendo do contexto do negócio.
O desafio não é apenas aprender ferramentas
Um estudo do IBM Institute for Business Value, publicado em 2025, reforça essa dificuldade. Entre os CMOs entrevistados, 65% disseram que profissionais com conhecimento em IA são importantes para alcançar objetivos prioritários, mas apenas 21% afirmaram ter o talento necessário para os próximos dois anos.
A pesquisa também identificou uma lacuna na criação de regras para o uso da tecnologia. Apenas 22% das organizações tinham estabelecido diretrizes claras para decisões automatizadas por IA.
Isso significa que a transformação envolve mais do que conhecer comandos ou ferramentas. Os profissionais precisam entender como avaliar resultados, identificar limitações e estabelecer critérios para utilizar sistemas de IA.
A IA também muda as habilidades valorizadas
A mudança no marketing acompanha uma transformação mais ampla no mercado de trabalho. Um relatório do LinkedIn sobre recrutamento mostrou que 73% dos profissionais de aquisição de talentos entrevistados acreditam que a IA mudará a maneira como as empresas contratam.
Entre os profissionais que já experimentaram ou integraram IA generativa ao recrutamento, a tecnologia reduziu, em média, 20% do tempo de trabalho semanal. O tempo economizado pode ser direcionado para atividades consideradas mais estratégicas, como avaliação de candidatos e relacionamento.
O movimento indica uma mudança importante: a IA não atua apenas sobre tarefas, mas também sobre a combinação de competências esperada em determinadas funções.
Para profissionais de marketing, isso pode envolver conhecimentos de análise de dados, automação, estratégia, avaliação de conteúdo produzido por IA e compreensão das limitações dos modelos.
O que os profissionais podem aprender com essa mudança
A pesquisa da Gartner aponta ainda que a diferença entre o impacto esperado e a preparação dos líderes pode se tornar relevante para as organizações. A empresa prevê que, até 2027, a falta de alfabetização em IA estará entre os três principais motivos para a substituição de CMOs em grandes empresas. Trata-se de uma previsão da Gartner, e não de um dado observado sobre substituições efetivamente ocorridas.
Para quem está no mercado de trabalho, o cenário reforça a importância de compreender a tecnologia para além da experimentação pontual. Entre os conhecimentos úteis estão:
- identificação de tarefas que podem ser automatizadas;
- criação e avaliação de prompts;
- análise crítica das respostas dos modelos;
- uso de IA para pesquisa e produtividade;
- cuidados com dados, privacidade e informações confidenciais;
- compreensão dos impactos da automação sobre processos.
A tendência também aparece em outras áreas. No recrutamento, por exemplo, o LinkedIn identificou crescimento na procura por competências relacionadas a IA e, ao mesmo tempo, maior importância de habilidades como comunicação, relacionamento e capacidade de adaptação.
A transformação prevista pelos CMOs, portanto, não depende apenas da chegada de novas ferramentas. Ela envolve mudanças nos processos, nas responsabilidades e nas competências exigidas dos profissionais. Para os próximos dois anos, o principal movimento apontado pelas pesquisas é a integração cada vez maior entre conhecimento profissional e uso de IA.







