Sombra da IA: uso oculto de ferramentas generativas aumenta entre profissionais e desafia gestores

Uma pesquisa da Deloitte com 25 mil trabalhadores no Reino Unido revelou que 31% dos usuários de IA generativa utilizam as ferramentas sem o conhecimento do empregador. O levantamento, realizado entre maio e junho de 2026, ouviu profissionais de 18 a 70 anos. Ao todo, 63% afirmaram usar IA generativa no trabalho e quase um quarto disse recorrer a essas ferramentas diariamente.

O fenômeno é conhecido como shadow AI, expressão que descreve o uso de sistemas de inteligência artificial sem autorização ou conhecimento da organização.

Por que profissionais recorrem à IA sem avisar?

Segundo a Deloitte, parte dos trabalhadores adota ferramentas por iniciativa própria para realizar tarefas cotidianas. Os usos mais comuns são:

  • busca de informações, citada por 43% dos usuários;
  • elaboração de e-mails, também com 43%;
  • criação de resumos, mencionada por 31%.

O estudo também mostra que 49% dos usuários não receberam treinamento formal sobre como utilizar IA de maneira segura e eficaz no trabalho. Isso faz com que o profissional possa conhecer e aplicar ferramentas que ainda não fazem parte oficialmente da estratégia da empresa.

O que muda para os gestores?

Para quem lidera equipes, o avanço da shadow AI significa que simplesmente disponibilizar ou bloquear ferramentas pode não ser suficiente. O gestor precisa entender como a tecnologia está sendo aplicada e quais atividades podem se beneficiar dela.

Um exemplo é uma equipe que utiliza um chatbot para resumir documentos, organizar informações ou preparar um primeiro rascunho de e-mail. Mesmo que a atividade pareça simples, o uso da ferramenta pode envolver dados internos, informações de clientes ou documentos que não deveriam ser enviados a serviços externos.

Por isso, alguns pontos passam a fazer parte da rotina de gestão:

  1. Definir regras claras – A equipe precisa saber quais ferramentas podem ser utilizadas, em quais situações e quais tipos de informação não devem ser inseridos nos sistemas.
  2. Entender as ferramentas – O gestor não precisa dominar programação, mas precisa conhecer conceitos básicos, limitações e aplicações práticas para avaliar onde a tecnologia pode ser incorporada ao trabalho.
  3. Criar espaço para experimentação – Quando o profissional precisa esconder que utiliza IA, a empresa também perde visibilidade sobre quais ferramentas estão sendo adotadas e para quais tarefas.

Gestores também precisam se atualizar

Outro levantamento da Gallup reforça a importância da liderança nesse processo. Em maio de 2026, apenas 36% dos funcionários de organizações que estavam integrando IA disseram concordar fortemente que seus gestores apoiavam o uso da tecnologia.

Na mesma pesquisa, funcionários que percebiam apoio ativo do gestor apresentavam maior frequência de utilização de IA e maior percepção de que a tecnologia estava transformando a maneira como o trabalho era realizado.

O cenário indica uma mudança na função do gestor: além de acompanhar resultados e pessoas, ele precisa compreender como novas tecnologias estão alterando processos e competências dentro da equipe. O desafio não é apenas adotar IA, mas saber onde, como e por que utilizá-la.

A formação de curta duração é voltada a profissionais com experiência em gestão que precisam atualizar seus conhecimentos para acompanhar a evolução da inteligência artificial e suas aplicações nos negócios.